30.973 pontos, a pé: como foi feito o Plano de Arborização de Assis Chateaubriand
Atualizado: 14 de out.
Entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, nossa equipe percorreu a pé todas as vias públicas urbanas de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná: a sede, os distritos de Bragantina e Encantado do Oeste e os patrimônios de Engenheiro Azaury, Silveirópolis, Terra Nova do Piquiri e Nice. Nenhuma quadra foi estimada.
O resultado é a base do Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), elaborado pela Ambiente-se para a Prefeitura e apresentado à população em duas audiências públicas em 2026.
Por que um censo, e não uma amostra
Um plano de arborização pode ser feito por amostragem. Em Assis Chateaubriand, o levantamento foi censitário: cada árvore recebeu um registro próprio, com coordenada geográfica.
A diferença aparece depois. Com o censo, a Prefeitura sabe quais árvores precisam de atenção e em que endereço elas estão, e não apenas uma estimativa de quantas são.
Em cada ponto, a equipe registrou:
a espécie, com identificação botânica;
a circunferência do tronco a 1,30 m do solo e a altura;
a condição de saúde da árvore e o tipo de poda recebida;
os conflitos com rede elétrica, calçada e outros elementos da rua;
a largura da calçada e a faixa livre para o pedestre.
O trabalho de campo foi feito por equipes de até três pessoas, sob supervisão de engenheiro florestal, seguindo as normas da série ABNT NBR 16246.
O que o levantamento mostrou
Foram 30.973 pontos georreferenciados em todo o município:
18.728 árvores cadastradas;
178 espécies identificadas;
1.935 espaços aptos a receber novas árvores.
Os números também mostraram onde estão os problemas. Na sede, 64% das árvores têm algum conflito com a infraestrutura urbana, e 5.215 delas interferem na rede elétrica. Em 881 casos, a raiz danifica a calçada.
No município como um todo, 56,78% das árvores são de espécies exóticas do Brasil. Quanto à saúde, 73,7% estão em condição boa ou satisfatória e 26,3% precisam de algum tipo de intervenção.
A origem desses problemas é quase sempre a mesma: árvore plantada sem critério técnico. Espécie de grande porte embaixo da fiação, raiz agressiva em canteiro pequeno, muda sem condução nos primeiros anos.
Substituir não é derrubar
Todo plano de arborização esbarra no mesmo receio: "vão cortar a árvore da frente da minha casa?". Por isso, a apresentação à população tratou os temas sensíveis de forma direta.
O Plano não prevê remoção em massa em nenhuma fase. A substituição de espécies inadequadas é gradual, toda remoção depende de laudo técnico e toda árvore retirada é reposta.
O mesmo vale para a fiação. Conflito com a rede elétrica não significa remoção: a regra é o manejo, com poda técnica e escolha da espécie de porte certo para cada lado da rua.
O que o Plano propõe
A parte mais útil de um plano de arborização são as regras que evitam que os problemas de hoje se repitam. Entre elas:
Árvore certa no lugar certo. O porte da árvore passa a ser definido pela largura da calçada e pela existência de fiação.
Diversidade. Nenhuma espécie deve ultrapassar 10% do total de árvores do município.
Prioridade para nativas da Floresta Estacional Semidecidual e da Mata Atlântica, com lista de espécies recomendadas por porte.
Espaço para a raiz. Canteiro permeável mínimo de 1 m², 2 m² ou 3 m², conforme o porte.
Caminho definido para o morador que precisa pedir poda ou corte.
Proteção de árvores notáveis, com indicação de exemplares para tombamento ou imunidade ao corte.
Tudo isso está organizado em um Plano de Ação com 21 ações em cinco eixos, de 2026 a 2030, que inclui a ocupação dos 1.935 espaços de plantio identificados.
A população participou
Em 2025, uma consulta pública recebeu 143 respostas de moradores. Entre eles, 66% consideram a arborização insuficiente.
A versão preliminar do Plano foi apresentada na primeira audiência pública, em 27 de maio de 2026. Depois da análise técnica do Comitê Gestor, o diagnóstico revisado e as diretrizes voltaram à população em uma segunda audiência.
Em que fase está
O Plano foi aprovado em audiência pública e a versão final está em fase de entrega para conferência do Comitê Gestor.
A responsabilidade técnica é do engenheiro florestal Ronan Felipe de Souza (CREA-PR 169341/D), com participação de toda a equipe da Ambiente-se.
Experiência em planos municipais
A Ambiente-se já concluiu planos de arborização em cinco municípios paranaenses (Assis Chateaubriand, Cruzeiro do Iguaçu, Godoy Moreira, Missal e Guaraniaçu). Hoje, a equipe concentra esse tipo de trabalho nos planos municipais de resíduos, de saneamento e de manejo de unidades de conservação. Quem está na prefeitura e precisa de apoio técnico nesses planos pode falar com a equipe pelo WhatsApp (44) 99159-1992.




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